O problema social refere-se à insuficiência visual devido à miopia, sendo este o erro refrativo mais frequente nos adolescentes e jovens. A Organização Mundial de Saúde (OMS) registou em 2020 mais de 2,6 mil milhões de pessoas com miopia, e destes, 312 milhões com menos de 19 anos. Este número pode ultrapassar 3,36 mil milhões até 2030 se não forem tomadas medidas. A nível nacional não existem dados robustos, contudo, estima-se que em Lisboa, 12,7% das crianças do pré-escolar e do ensino básico apresentam miopia. No norte do país, a prevalência de miopia em jovens universitários aumentou de 23,4% para 41,3% entre 2002 e 2014. Na Covilhã 21,5% dos adolescentes têm miopia, e é mais comum em escolas urbanas. Esta condição aumenta o risco de complicações visuais graves no futuro, como cataratas, glaucoma e degeneração macular; tem impactos negativos no desempenho escolar, frustração, baixa autoestima e ansiedade. É uma barreira na juventude e na idade adulta quanto à futura inserção no mercado de trabalho, traduzindo-se em custos elevados para o indivíduo e para a sociedade.
A solução proposta consiste num programa de intervenção precoce e integrado para o controlo da miopia denominado VER+. O programa assenta numa metodologia que compreende várias atividades: Avaliação Diagnóstica e Confirmação da Necessidade Corretiva; Acompanhamento e controlo da miopia; Educação e Empoderamento dos destinatários (Workshops/ateliers customizados focados na saúde visual, atividades integradas em clubes temáticos com exercícios de foco visual, movimento e interação e envolvimento da comunidade educativa e familiar); Comunicação e Disseminação e Avaliação e impacto. Em Portugal não existe uma resposta social específica para a saúde visual em ambiente escolar, nenhuma resposta pública integra o rastreio em ambiente escolar, o acompanhamento contínuo da correção visual, a educação para a saúde visual e mudança comportamental focada na prevenção da progressão da miopia. A solução proposta apresenta elementos inovadores diferenciadores ao propor uma abordagem holística que vai além da simples correção visual implementando uma metodologia fundada em evidência científica e ao integrar múltiplos atores (escolas, universidades, autarquias, setor privado).
O programa prevê um potencial de impacto social em diversas dimensões, nomeadamente: na Redução da incapacidade visual causada pela miopia, na Melhoria da qualidade de vida (melhoria da visão, redução dos sintomas e aumento da capacidade de concentração, melhor desempenho escolar pela melhoria da visão, fortalecimento da autoestima e confiança dos estudantes e incentivo à participação mais ativa nas atividades em sala de aula e fora dela); no Aumento da literacia em saúde visual e na Mudança de comportamentos (estímulo a novos estilos de vida com mais tempo ao ar livre, redução do tempo de exposição a ecrãs e adoção de hábitos preventivos que contribuem para a saúde visual a longo prazo)
Universidade da Beira Interior, Associação Aldeia dos Girassóis; Escola Nacional de Saúde Pública
Código da Operação: CENTRO2030-FSE+- 02333900
Custo Total Aprovado 281.143,16 € (126.912,10€ para a UBI)